segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

" Os antigos chineses viam o universo como a combinação cíclica
de dois ritmos: Yin e Yang. Não são ideias, são emblemas, imagens
que contêm uma representação concreta do universo.
Dotados de um dinamismo criador de realidades, Yin e Yang se
alternam e ao se alternarem engendram a totalidade.
 
Yin é o inverno, a estação das mulheres, a casa e a sombra.
Seu símbolo é a porta, o fechado e escondido que amadurece
na escuridão. Yang é a luz, os trabalhos agrícolas, a caça e a
pesca, o ar livre, o tempo dos homens, aberto. Calor e frio, luz
e escuridão; tempo de plenitude e tempo de decrepitude:
tempo masculino e tempo feminino - um aspecto dragão
e um aspecto serpente -, assim é a vida."
 
 
 
OCTAVIO PAZ - O ARCO E A LIRA

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Peter Doig
" A arte pode ser boa, má ou indiferente, mas qualquer que seja
a designação utilizada, nós devemos chamar-lhe arte:
uma arte má é, apesar disso, arte,
como uma má emoção é ainda uma emoção."
 
 
 
 
MARCEL DUCHAMP


 " O estatuto do desenho, no âmbito das artes plásticas, comporta uma
certa ambiguidade. Ele é o alicerce indispensável da pintura, escultura
e arquitetura; aparece como uma técnica de certo modo rudimentar,
dependente, preparatória, a que faltariam os elementos de uma
linguagem plástica autônoma. Mas é essa aparente pobreza intrínseca
do desenho que lhe dá o seu poder de utilização universal
- como se não fosse possível pintar ou esculpir sem saber desenhar;
como se toda e qualquer forma se esboçasse, necessariamente,
nessa grafia primeira que traça o desenho.
Como se no desenho estivesse contido o mistério
do aparecimento e da percepção das formas."
 
 
José Gil - "Escritos sobre Arte"



Gari Melchers
A realidade é coisa delicada,
de se pegar com as pontas dos dedos.

Um gesto mais brutal, e pronto: o nada.
A qualquer hora pode advir o fim.
O mais terrível de todos os medos.

Mas, felizmente, não é bem assim.
Há uma saída – falar, falar muito.
São as palavras que suportam o mundo,
não os ombros. Sem o “porquê”, o sim”,

todos os ombros afundavam juntos.
Basta uma boca aberta (ou um rabisco
num papel) para salvar o universo.
Portanto, meus amigos, eu insisto:
falem se parar. Mesmo sem assunto.





Paulo Henriques Britto