segunda-feira, 14 de abril de 2014
"Creio que, desde muito pequeno, minha infelicidade,
e ao mesmo tempo minha felicidade, foi não aceitar as
coisas com facilidade.
Não me bastava que explicassem ou afirmassem algo.
Para mim, ao contrário, em cada palavra ou objeto começava
um itinerário misterioso que às vezes me esclarecia
e às vezes chegava a me estilhaçar."
Julio Cortázar
Tanto que fazer !
Livros que não se leem, cartas que não se escrevem,
línguas que não se aprendem,
amor que não se dá,
tudo quanto se esquece.
Amigos entre adeuses,
crianças chorando na tempestade,
cidadãos assinando papéis, papéis, papéis…
até o fim do mundo assinando papéis.
E os pássaros detrás de grades de chuvas,
e os mortos em redôma de cânfora.
( E uma canção tão bela ! )
Tanto que fazer !
E nunca soubemos quem éramos
nem para quê.
Livros que não se leem, cartas que não se escrevem,
línguas que não se aprendem,
amor que não se dá,
tudo quanto se esquece.
Amigos entre adeuses,
crianças chorando na tempestade,
cidadãos assinando papéis, papéis, papéis…
até o fim do mundo assinando papéis.
E os pássaros detrás de grades de chuvas,
e os mortos em redôma de cânfora.
( E uma canção tão bela ! )
Tanto que fazer !
E nunca soubemos quem éramos
nem para quê.
Cecilia Meireles
terça-feira, 8 de abril de 2014
"Nas coisas sexuais, parece-me que o homem se acalma e se distancia,
enquanto a mulher se reacende e o desejo brota de novo nela.
É esta a razão do fato natural que leva a mulher a esquivar-se
e a deixar eternamente o homem com o seu desejo, a fim de o prender.
Ao passo que ao homem de nada lhe serve recusar-se à mulher
para a prender a si.
Por outro lado, a mulher encontra a paz ao dar à luz;
o homem, se não encontrasse a paz no simples coito,
nunca a encontraria."
Cesare Pavese
Que é loucura: ser cavaleiro andante
ou segui-lo, como escudeiro?
De nós dois, quem o louco verdadeiro?
O que, acordado, sonha doidamente?
O que, mesmo vendado,
vê o real e segue o sonho
de um doido pelas bruxas embruxado?
Eis-me, talvez, o único maluco,
e me sabendo tal, sem grão de siso,
sou – que doideira – um louco de juízo.
Carlos Drummond de Andrade
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