segunda-feira, 13 de junho de 2011

PAPÉIS NA CALÇADA

E eles queimam no asfalto molhado
os reflexos das inúmeras luzes da rua.
Piscando vivem e morrem e vivem
na brilhante esfera escura de um planeta solitário.
Destemido, o vento insufla os lençóis líquidos
esboçando imagens abstractas.
Por outro lado, nós buscamos abrigo
como moscas no inverno,
moscas aprisionadas na amarga neve.
E quem irá escutar isto, e quando, e como
para explicar a súbita alquimia ao espelho:
este monstruoso pedinte?
Talvez a exacta pessoa
que todos os dias atravessa a rua
ao mesmo tempo, aí está quem.
Lembramo-nos de dias e casas,
de quando éramos amantes da verdade.

Molharam-se, os meus papéis caídos na calçada,
tinta turva voou das palavras,
e a partir de agora,
memórias daqui para o futuro.

RIKARDO ARREGI

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Willard Metcalf

" Nesta pequena cabeça, primeiro temos de

conquistar o mais vasto mundo.

Deste canto obscuro, podemos dominar a vida."


Paul Brunton

" Relegados a um íntimo grão de areia, longe de tudo, alheios a tudo

o que não somos "nós", imperceptíveis e insignificantes na vasta praia

do mundo, queremos no entanto a qualquer preço que esta praia sem fim

- da qual nunca visitaremos mais do que três ou quatro grãos de areia

próximos do nosso - nos seja acessível, e clara, e submissa.

Um resíduo sem dúvida da antiga e tenaz crença na supremacia

do homem, centro e obra-prima da criação, infiel imagem de um deus."


JEAN-CLAUDE CARRIÈRE

Sarolta Ban

Aqui onde o exílio
dói como agulhas fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.

Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.




EUGÊNIO DE ANDRADE