terça-feira, 10 de julho de 2012

Às Vezes

Às vezes fazemos coisas
Que não queremos fazer,
Talvez por existir
Um pingo de esperança
Esperança essa que nem sempre
Nos faz bem
Nos leva para o caminho certo
Às vezes amamos intensamente
Às vezes sonhamos os mais belos sonhos
Às vezes até odiamos
com a mesma intensidade que amamos
Mais o certo é que,
Nem sempre
“Às vezes” dura um só momento
Às vezes os “Às vezes” podem
Durar eternamente!!!
Nem sempre.




FREDERICO GARCIA LORCA

terça-feira, 3 de julho de 2012


" Nós todos somos agnósticos até descobrirmos que o agnosticismo não vai funcionar."


G.K.Chesterton
Michael Gorban
Ela era um Espírito da alegria
Quando a vi no primeiro dia;
Bela Aparição brilhante
Enviada ao encanto do instante;
Seus olhos, como o Crepúsculo sereno;
Como o Crepúsculo, seu cabelo moreno;
E tudo mais que a envolvia
À Aurora e à Primavera pertencia;
Forma dançante, imagem a alegrar?
A surpreender, assolar e assombrar.
Olhei-a de perto, lá estava ela,
Um Espírito, mas também uma Donzela!
Seu movimento leve, solto e frugal,
E passos da liberdade virginal;
No semblante se encontraram as nuanças
Das doces promessas e doces lembranças;
Criatura nem brilhante ou boa demais
Para os afazeres cotidianos e normais,
Ou a sofrer passageiro e simples desejos,
Louvor, culpa, amor, lágrimas, sorrisos e beijos.
Com os olhos tranquilos posso contemplar
Desta máquina o verdadeiro pulsar;
Um ser que, pensativo, respira forte;
Um Viajante, em meio à vida e à morte;
A razão firme, a vontade temperada,
Uma perfeita Mulher soberbamente forjada;
Paciência, visão, habilidade e poder,
Para alertar, confortar e reger;
E ainda um Espírito com fulgor magistral,
Com algo da luz angelical.


William Wordsworth


Tradução de Alberto Marsicano e John Milton

Charlet Frantz
"Como espécie, o sapiens ama e detesta sua própria vida e as de outras espécies,
ele as erradica e as pesquisa.
Uma força grandiosa transbordante de crime e deleite...
Vivemos, logo amamos; vivemos, logo odiamos.
Eu amo e odeio a vida, logo existo. Transformamo-nos lentamente, com variações
individuais, num gênero pacífico e arrogante, inventivo e exterminador,
amoroso e tanatocrático, de Stalin a São Francisco de Assis, do caçador
impiedoso a São Júlio, o Hospitaleiro, do parasita ao simbionte, da loucura
dos que adoram o poder ao surpreendente punhado
de santos que dedicam seu poder ao amor."


Michel Serres