quarta-feira, 17 de outubro de 2012


"A amizade é um navio suficientemente grande para levar
duas pessoas com tempo bom,
mas apenas uma com tempo mau."
 
 
Ambroise Bierce

"Falsos deuses são as duas coisas: tanto testemunhos como produtores
da vã procura de uma identidade que nos salve.
Enquanto não encararmos realmente de frente o desamor que nos rodeia,
não seremos capazes de chegar a uma identidade própria e firmemente enraizada
no que realmente somos. Se esse for o caso, a identidade tem de basear-se numa
trama exterior: psicodramas e posturas ostensivas em que posses de sentimentos
e valores tomam o lugar de uma identidade interior. Isso empurra as pessoas
para a dependência de estruturas externas, tal como o estatuto social, posse,
ordem, dever e obediência.
Quando essas estruturas começam a vacilar devido à sua dinâmica própria,
as pessoas que edificaram a sua identidade sobre elas desagregam-se.
É esse o solo que não só permite como favorece os falsos deuses!
O divino, salvador, que o Homem procura,
é procurado no exterior da própria pessoa."
 
 
 
Arno Gruen - Falsos Deuses

Poesia, a minha velha amiga...
eu entrego-lhe tudo

a que os outros não dão importância nenhuma...

a saber:

o silêncio dos velhos corredores

uma esquina

uma lua

(porque há muitas, muitas luas...)

o primeiro olhar daquela primeira namorada

que ainda ilumina, ó alma,

como uma tênue luz de lamparina,

a tua câmara de horrores.

E os grilos?

Sim, os grilos...

Os grilos são os poetas mortos.



Entrego-lhe grilos aos milhões, um lápis verde, um retrato

amarelecido, um velho ovo de costura. 

Os teus pecados, 

as reivindicações, as explicações – 

menos o dar de ombros e os risos contidos

mas todas as lágrimas que o orgulho estancou na fonte

as explosões de cólera

o ranger dos dentes

as alegrias agudas até o grito

a dança dos ossos



Pois bem, às vezes

de tudo quanto lhe entrego, a Poesia faz uma coisa que

Parece nada tem a ver com os ingredientes mas que

Tem por isso mesmo um sabor total:
eternamente
esse gosto de nunca e de sempre.
 

Mário Quintana



terça-feira, 2 de outubro de 2012

Lucien Coutaud