terça-feira, 29 de junho de 2010
O visível à nossa volta parece repousar em si mesmo.
É como se a visão se formasse em seu âmago ou como se
houvesse entre ele e nós uma familiaridade tão
estreita como a do mar e da praia.
No entanto, não é possível que nos fundemos nele nem que
ele penetre em nós, pois então a visão sumiria no momento
de formar-se, com o desaparecimento ou do vidente ou do
visível. Não há, portanto, coisas idênticas a si mesmas, que,
em seguida, se oferecessem a quem vê, não há um vidente,
primeiramente vazio, que em seguida se abre para elas,
mas sim algo de que não poderíamos aproximar-nos mais a
não ser apalpando-o com o olhar, coisas que não poderíamos
sonhar ver "inteiramente nuas", porquanto o olhar as envolve
e as veste com sua carne.
MERLEAU-PONTY
CANÇÃO PARA OS HOMENS DE INGLATERRA
Homens de Inglaterra, por quê lavrar
Para os senhores que vos derrubam?
Porquê tecer com esforço e cuidado
As ricas roupas que vestem os vossos tiranos?
Porquê alimentar, e vestir, e proteger,
Do berço até à sepultura,
Aqueles ingratos zângãos que
Exauririam o vosso suor como beberiam também o vosso sangue?
Porquê, Abelhas de Inglaterra, forjar
Tantas armas, grilhetas e chicotes
Se esses zângãos sem ferrão podem destruir
O produto forçado da vossa labuta?
PERCY B. SHELLEY



