sexta-feira, 21 de maio de 2010

(...) dessas seguranças acerca dos mais extremos horizontes, nós nem sequer "precisamos" para viver uma humanidade plena e competente: assim como a formiga não precisa delas para ser uma boa formiga (...) nos domínios mais extremos em cuja direção se obstina ainda o olho, sem penetrar neles, introduziram sorrateiramente conceitos tais como culpa e castigo (...) Desde antiguidades fantasiou-se com temeridade, ali onde se podia estabelecer nada, e persuadiu-se a posteridade a tomar essas fantasias a sério e como verdade, recorrendo por último ao abominável trunfo: crer tem mais valor do que saber (...)

Tão pouco quanto essas questões dos religiosos importam-nos as questões dos filósofos dogmáticos, quer sejam idealistas ou materialistas ou realistas. Todas elas visam a constranger-nos a uma decisão em domínios onde crença nem saber são necessários; é útil que ao redor de tudo que é sondável e acessível à razão se estenda um enevoado e traiçoeiro cinturão pantanoso, uma faixa de impenetrável, de eternamente fluido e de indeterminável (...) Temos de tornar-nos outra vez "bins vizinhos das coisas mais próximas" e não, como até agora, olhar tão desdenhosamente por sobre elas em direção a nuvens e demônios noturnos.

NIETZSCHE

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