domingo, 1 de abril de 2012

Canção excêntrica

Ando à procura de espaço

para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
protejo-me num abraço
e gero uma despedida.

Se volto sobre o meu passo,

é já distância perdida.

Meu coração, coisa de aço,

começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
- saudosa do que não faço
- do que faço, arrependida.


Cecília Meireles


Um comentário:

  1. As contradições do nosso ser/estar...
    Magnífico poema!

    Bj

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