domingo, 23 de setembro de 2012


"Quando lemos romances, não somos o que somos habitualmente, mas também os seres
criados para os quais o romancista nos transporta. Esse traslado é uma metamorfose:
o reduto asfixiante que é nossa vida real abre-se e saímos para ser outros, para viver
vicariamente experiências que a ficção transforma como nossas. Sonho lúcido e fantasia
encarnada, a ficção nos completa – a nós, seres mutilados, a quem foi imposta a atroz
dicotomia de ter uma única vida, e os apetites e as fantasias de desejar outras mil.
Esse espaço entre a vida real e os desejos e as fantasias, que exigem que seja mais
rica e mais diversa, é preenchido pelos livros de ficção."
 
 
Mario Vargas Llosa

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