domingo, 6 de dezembro de 2009

Nós vamos ensinar a você o fervor. Nossos atos se

prendem a nós, como ao fósforo sua luz.

Nos consome, é verdade mas fazem nosso esplendor.

E se nossa alma valeu alguma coisa é por ter ardido

mais intensamente do que outras. Vamos ensinar a

você o fervor. Uma existência patética.

Não a tranquilidade. Ser tranquilo é ser trágico.

Eu não almejo outro repouso que o sono da morte.

Espero depois de ter exprimido nesta terra tudo o

que havia em mim, satisfeito morrer completamente.

Desesperado por fazer ainda mais.

Nossa vida há de ser diante de nós como um

copo de água gelada. O copo úmido nas mãos de

quem tem febre e quer beber, e bebe tudo de uma

vez. Sabendo que devia guardar, mas não podendo

tirar dos lábios o copo delicioso. Tão fresca é a água

E tão apaziguadora a sede.


ANDRÉ GIDE

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