quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras
lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira
lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho,
torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer.
Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.
Depois enxaguam, dão mais uma molhada, agora jogando a
água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa,
e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar
do pano uma só gota.
Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram
a roupa lavada na corda ou no varal para secar.
Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa.
A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso;
a palavra foi feita para dizer.


Graciliano Ramos

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