quarta-feira, 17 de março de 2010

A mente que se habituou à liberdade e à imparcialidade da contemplação filosófica

conservará alguma desta liberdade e imparcialidade no mundo da ação e da emoção.

Encarará os seus propósitos e os seus desejos como partes do todo e com a falta

de persistência que resulta de os ver como fragmentos minúsculos num mundo no

qual nada mais é afetado por qualquer ação humana. A imparcialidade que na

contemplação é o desejo puro da verdade, é a mesma qualidade da mente que na

ação é a justiça e na emoção é o amor universal que pode ser dado a tudo e não

apenas aos que consideramos úteis ou dignos de admiração. Por conseguinte, a

contemplação alarga não apenas os objetos dos nossos pensamentos, mas também

os objetos das nossas ações e das nossas afecções; faz-nos cidadãos do universo e

não apenas de uma cidade murada em guerra com tudo o resto.

A verdadeira liberdade humana e a sua libertação da sujeição a esperanças e

temores mesquinhos consiste nesta cidadania do universo.



BERTRAND RUSSELL

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