quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A filosofia clássica confiava na iluminação, a filosofia contemporânea

descobre a rapidez do raio. Novo estado de conhecimento - e a

celebridade de uma mensagem vale mais que a lucidez de um

pensamento. O mundo da informação toma o lugar do mundo

observado; as coisas conhecidas porque vistas, dão lugar aos

códigos permutados. Ainda nos prendíamos com amarras, cabos

e ancoragens, às próprias coisas pela observação, pela ideia da

clareza, ou da função da intuição. A teoria, por vontade própria,

foi marcada pelo ato d ever e pela fenomenologia das aparências

entregues à perspectiva do olhar. As amarras agora se soltam,

a mensagem torna-se o próprio objeto. O código significa o dado.

Ou antes: a mensagem volta a ser o dado, como durante o que

denomino de a Antiguidade, onde o coletivo se alimentava de

suas relações e de suas mensagens, no desprezo ou esquecimento

dos objetos. A idade da mensagem mata a era teórica.

As ciências exatas consideram os objetos - observam;

as ciências humanas consideram as relações - vigiam.


MICHEL SERRES

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